O mundo moderno trouxe novas necessidades que demandam muito mais dinheiro, fazendo com que as pessoas tenham que trabalhar mais e passar menos tempo em casa.
Antigamente os homens trabalhavam e as mulheres cuidavam dos filhos. As crianças eram educadas pelas mães e tinham uma boa referência familiar.
Quando as mulheres foram obrigadas a trabalhar as crianças acabaram ficando afastadas dos seus pais por mais tempo, pois agora os seus dois referenciais de moralidade e se senso familiar estão fora, trabalhando.
Até os 7 anos de idade as crianças são como verdadeiras “esponjas”, sugando todos os conhecimentos e percepções do ambiente ao seu redor para formarem o seu caráter. Nessa idade elas tem uma vontade incrível de aprender para se integrarem ao meio onde vivem.
Esse é um período que moldará para sempre as suas vidas e o seu caráter...tudo que for assimilado nesse período ficará incutido profundamente e se tornará parte da sua personalidade.
É por isso que normalmente os filhos torcem pelo mesmo time dos pais e seguem a mesma religião da família.
Dificilmente as coisas assimiladas nessa idade irão mudar na mente dessas crianças, pois elas estão profundamente e passaram, de certo modo, a fazerem parte da sua personalidade, tanto para o bem quanto para o mau.
É muito mais fácil formar cidadãos de bem influenciando positivamente as crianças com até 7 anos de idade do que tentar mudar os comportamentos de crianças mais velhas, adolescente e adultos, embora isso também possa ser feito.
Reeducar adolescente e adultos é muito mais difícil. Exigirá um trabalho de reprogramação mental, ou seja, os “programas” que foram instalados nas suas mentes precisarão ser sobrescritos por outros mais positivos, e isso demanda muito trabalho, energia e dedicação. As situações de sucesso, nesse caso, costumam ser menores, mas, ainda assim, são possíveis.
São inúmeras as possibilidades de ações sócio-educativas para crianças que os municípios poderão implementar. Apenas para exemplificar, vou citar um exemplo que eu vivenciei quando comandava os serviços de bombeiros no Litoral Norte do Estado de São Paulo.
Nós queríamos preencher o espaço de tempo em que as crianças ficavam fora da escola e sem os pais por perto.
Esse espaço precisava ser utilizado para formarmos cidadãos respeitáveis. Por isso criamos um projeto chamado “Bombeiros Mirins” que visava dar uma formação social às crianças de Caraguatatuba/SP.
Inicialmente começamos com 60 crianças, sendo 30 no período da manhã e 30 no período da tarde.
Mais tarde acabamos agregando um projeto que surgiu no Estado de São Paulo, chamado “SOS - Bombeiros no Resgate da Cidadania”, que possuía uma filosofia muito parecida que o que já estávamos aplicando nas crianças.
Com o SOS nós agregamos mais 60 crianças, passando a trabalhar, com 240 por ano.
As crianças participantes de ambos os projetos precisavam obrigatoriamente estar frequentando a escola para que fossem aceitas, pois o principal objetivo era valorizar a educação em todas as suas modalidades, tanto a cívica como a escolar.
A crianças que estudavam de manhã frequentavam o projeto à tarde, e as que estudavam à tarde, frequentavam de manhã.
Assim, quando elas não estavam na escola, estavam no projeto.
Com o dia todo preenchido com atividades educacionais, ninguém ficava na rua à mercê de influências indesejáveis.
Os participantes recebiam uniforme e faziam as diversas atividades que o Sargento Coordenador do Projeto promovia.
Quando chegavam ao quartel, elas entravam em forma, cantavam o hino nacional e hasteavam a bandeira. Isso lhes dava um sentimento de pertencimento ao grupo, trazendo-lhes um orgulho que muitas vezes a sua situação social não lhes permitia sentir.
Algumas delas eram crianças carentes que passavam por toda sorte de dificuldades familiares e financeiras. Era no quartel de bombeiros que elas se sentiam “iguais perante o mundo”.
No curso eram ministradas aulas de primeiros socorros, prevenção de incêndios, prevenção de acidentes domésticos, artesanato, capoeira, judô, esportes, reforço escolar, ordem unida (marchar), cabos e nós, e outras.
O curso tinha a duração de um ano, com intensas atividades e emoções para todos.
Uma semana antes do término do curso os alunos participavam de um acampamento na mata, onde os pais poderiam acompanha-los.
No acampamento, além das atividades com os alunos, o pessoal do Corpo de Bombeiros aproveitava a oportunidade para dar orientações e conselhos aos pais sobre como educar de forma mais humana e eficiente os seus filhos.
Era algo inesquecível tanto para os pais quanto para os alunos.
Os três primeiros colocados do curso eram promovidos a “Cabo Bombeiro Mirim” e poderiam ficar por mais um ano, desta vez como monitores, ajudando o Sargento Coordenador a formar a próxima turma.
A disputa pelas três primeiras colocações era intensa e envolvia, além das notas nas matérias, o comportamento durante o curso.
RESULTADOS PRÁTICOS...
Quase toda semana compareciam pais e professores ao quartel para tentar descobrir qual tinha sido a mágica que havia transformado filhos e alunos endiabrados e verdadeiros santos.
Eles paravam de tirar notas baixas, de brigarem com os colegas e de desrespeitarem os pais.
Agora as notas eram as maiores da sala, eles arrumavam as suas camas pela manhã, tratavam a todos com civilidade...eram quase um milagre da reengenharia genética.
Isso mostra como os projetos sócio-educativos com crianças são a melhor ferramenta para formar cidadãos de bem e transformar a realidade deste país.
Nós formamos 2400 alunos durante o tempo em que comandei os bombeiros do Litoral.
Quando fui promovido à Major fui classificado em outra cidade e acabei perdendo o contato com aquele projeto.
Pelo que sei nenhuma dessas crianças se enveredou pelo mundo do crime.
Alguns alunos acabaram entrando para a Polícia Militar, outros se formaram e trabalham em outras empresas...mas uma coisa eu aprendi com isso:
A EDUCAÇÃO É A CHAVE QUE REALMENTE ABRE AS PORTAS DA CIDADANIA PARA TODOS.
Para maiores informações sobre Segurança Pública Municipal acesse:
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Clique nos links abaixo e conheça um pouco mais sobre a história dos Bombeiros Mirins de Caraguatatuba:
Nenhum come


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